18/06/2014

Tim Burton's Hansel and Gretel

Em 1982, quando Tim Burton ainda era animador, ele fez uma versão de João e Maria para a Disney Channel, que foi ao ar em 1983, em um especial de Dia das Bruxas. As críticas da época disseram que era mal-feito e sem ritmo, que os 40 minutos poderiam facilmente terem sido resumidos em 20. A Disney achou sombrio demais (como achou todos os filmes iniciais de Burton, inclusive a versão live-action de Frankenweenie, de 1984) e o filme nunca mais foi exibido - em lugar nenhum, nem mesmo na internet.

Na verdade foi exibido na exposição do Tim Burton, criado pelo MoMA, que está rodando o mundo. Eu vi um pedacinho do filme quando fui na exposição do LACMA, em 2011, mas não gosto muito de ver vídeo em exposição. Tinha certeza que encontraria depois online. Ano passado descobri que esse era o filme mais procurado no MakingOff e que ele realmente não existia em lugar nenhum. Mas parece que alguém achou um VHS antigo e fez o favor de digitalizá-lo.


É meio tosco, sim. Dá pra ver claramente o papel colado na parede e onde a maquiagem da bruxa termina. Mas os outros recursos, principalmente o desenho animado misturado com live-action, são de uma simplicidade tocante. Dá para ver todos os temas explorados por Tim em outros filmes: as mesmas listras, os mesmos brinquedos-monstros, as mesmas colinas tortuosas. Está tudo aí, com orçamento baixíssimo. Um pré-Beetlejuice, quase. É tão singelo que eu não sei como conseguiram mantê-lo escondido por tanto tempo, sem que nem mesmo o diretor quisesse que viesse a público.
Obrigada, Tim, novamente, por sempre me fazer chorar.
12/06/2014

Corpo, horror, beleza.

Como todos os nossos corpos, talvez. Kate Lacour traduz corpos em diagramas anatômicos distorcidos que poderiam ser assustadores se não fossem tão poéticos. Sentados em posição de lótus, corpos com genitais e cobras e monstros em lugares de outros membros parecem até naturais, direto de um livro didático antigo. Não me canso de olhá-los e toda vez me fazem sorrir.









Para ver mais: Sharkbrains
30/05/2014

Yayoi Kuzama

Só é mais mágico ir lá ver ao vivo.

29/05/2014

Malabares


Toda segunda um parquinho na Vila Madalena abre para ensaios de malabares. Como eu não sei fazer malabarismo nem com uma bolinha, resolvi tirar umas fotos de quem sabe.

08/05/2014

Escrever é sexy

Nos anos 20 e 30. O que me lembra que eu preciso voltar a escrever.







Fonte: Retronaut, meu site favorito
03/05/2014

Potes de Tatuagens

Pele encrustrada com borracha derretida, carvão e mais sei lá o que em prisioneiros poloneses, entalhados com pedaços de vidro, clips de papel e lâminas de barbear. Extraídos de seus corpos depois de mortos e colocados em vidros de formal numa universidade e fotografados por uma artista. É impossível ficar melhor que isso. Acho que se nada disso apodreceu e virou um câncer, nunca mais preciso me preocupar com os meus dois rabisquinhos esterilizados numa clínica.


O projeto Special Characteristics (Características Especiais) foi apresentado pela primeira vez na Paris Photo em 2010. A série apresenta tatuagens recolhidas pelo Departamento de Medicina Forense da Jagiellonian University, em Kraków, desde 1872. A coleção de fotografias também foi chamada de Criminal Code (Código Criminal) por revelar os tipos de códigos e o senso de humor dos criminosos, mas isso parece um pouco superficial considerando o conteúdo bem pouco nebuloso dessas tatuagens, compostas basicamente de pornografia (exceto pela Marca Negra aí no meio, alguém precisa pesquisar sobre isso).

É legal também que a fotógrafa é uma mulher. Acho tão inspirador achar outras mulheres que lidam com o mórbido e o bizarro. Katarzyna Mirczak nasceu na Polônia em 1980, estudou arqueologia, se especializou no Egito e no Oriente Médio, mas depois acabou se dedicando à fotografia. Todos os seus projetos têm uma carguinha mórbida, desde este mesmo projeto das tatuagens, até diversos ensaios envolvendo vítimas de homicídios. Em uma entrevista para a Tygodnik Powszechny, na edição de 18 de novembro, ela afirma que "fotografia nunca é objetiva. É feita por um par de olhos, atrás desse par de olhos está um cérebro, depois os sentimentos de alguém e experiências".











Fontes: aquiaqui



10/03/2014

Câmera Obscura

Eu tinha visto isso há um tempo, quis fazer um post, mas estava quente demais pra pensar e deixei para lá. E então hoje estava no tumblr, vi o link, pensei que fosse outra coisa parecida, mas era a mesma. Deve ser destino.

Uma câmera obscura é um quarto com um furinho. É só isso. A luz passa pelo furinho e forma uma imagem invertida na parede, mostrando exatamente o que tem do lado de fora. Funciona exatamente como uma câmera fotográfica bem grande, no tempo que câmeras fotográficas tinham buraquinhos físicos e um espaço razoável para as imagens se fixarem no outro lado. Antigamente os pintores holandeses usavam câmeras obscuras portáteis (do tipo daquelas caixas que bons professores de física no ensino médio usam pra explicar óptica) para copiar o cenário. Assim:

Acho que todos os 5mil textos sobre a invenção da fotografia que li na faculdade e na pós tinham esse desenho.
Abelardo Morell nasceu em Havana, Cuba, em 1948. Mudou-se com os pais para os Estados Unidos em 1962. Ainda bem. Não aguento mais trabalhos incríveis feitos por adolescentes. Ele até fez Mestrado na Yale em 1981 e, em 1991, começou a experimentar com câmeras obscuras em sua própria sala de estar.

Cobria as janelas com plástico preto, deixando só um buraquinho para a entrada da luz e fazia as fotos com câmeras de grande formato. Usava filme preto e branco, colorido, começou a usar uma lente para deixar as imagens mais nítidas, usou até um prisma para mudar o sentido das imagens. Saiu da sala de estar, foi para outras partes do mundo, até inventou uma cabana só para isso.

Segundo Morell "uma das grandes satisfações que tiro de fazer esse tipo de imagem vem da possibilidade de ver o casamento estranho e ainda assim natural do lado de dentro e do lado de fora." Para que ter uma janela quando você pode trazer todo o mundo exterior para dentro?











Aliás, tem uma câmera obscura permanente em São Francisco, na Cliff House, se é que alguém precisa de mais um motivo para querer visitar São Francisco.

Fonte: Abelardo Morell