17 de abr de 2015

Os 5 estágios pós-namoro

Terminar namoros é sempre bom. Claro que na hora parece terrível, mas, com o tempo, melhora. Depois que você termina, vem todos aqueles sentimentos de liberdade. Poder conhecer pessoas novas e poder dedicar muito mais tempo para você e as coisas que você gostava de fazer antes de conhecer seu ex, que achava todos os seus hobbies idiotas. Mas, principalmente, você quer recuperar o tempo perdido. Apresento aqui os 5 estágios decorrentes do fim de um namoro.

1. Você quer pegar todo mundo

Não importa se você namorou 5 anos ou 2 meses, a impressão que dá é que durante o tempo que você ficava com uma pessoa só, você poderia ter ficado com milhões de pessoas. E então você começa a diversificar suas escolhas, ficando com pessoas que na verdade você nem sente tanta atração assim, só pra dar uma variada e experimentar de tudo. E como é maravilhoso perceber que mais gente se sente atraído por você além daquele seu ex confortável que nem te elogiava mais.

2. Você odeia pessoas do sexo oposto

Enquanto você passava o rodo na balada, você descobre que, um mês depois de vocês terminarem, seu ex está namorando aquela menina que você morria de ciúmes e a levando para o restaurante que você adorava, mas que ele sempre reclamava que era muito caro. Passa tempo o suficiente para você perceber todas as mancadas que seu ex deu quando vocês namoravam. Você também fica chateada que ninguém com quem você fica sai mais de duas vezes com você. Você reclama com as amigas solteiras que estão na mesma situação. Você chega à conclusão de que nenhum homem presta. Você começa a pesquisar preços de vibradores, mas nunca decide qual comprar, o que te deixa ainda mais amargurada.

3. Todo mundo que você quer pegar é da sexualidade oposta da sua

Nessa de achar as pessoas que você poderia pegar são todos uns babacas, você começa a fazer amizades com pessoas que não ficariam com você. Eu acho que isso não acontece no mundo gay, mas se você for hétero, com certeza você vai começar a se apaixonar por pessoas gays. Elas são do sexo oposto e gostam das mesmas coisas que você, são sempre mais charmosas e falam com você com muita despretensão. Justamente por coisas inalcançáveis serem sempre as melhores, você nunca vai se apaixonar pelo bissexual ou pelx gay que às vezes fica com meninxs, é sempre pela bichona ou pela caminhoneira.

4. Todo mundo que você quer pegar namora

Pessoas que namoram sério, apaixonados, que nunca traem, mas que também têm tempo para os amigos e não são grudentos demais são sempre mais atraentes. É o relacionamento que você sonhava para você: uma parceria, um time. E, enquanto você ainda odeia pessoas do sexo oposto, aquele amigo parece que achou a única pessoa que valia a pena, diferente de todos os outros. Ela te trata como você realmente queria ser tratado: como uma amiga.

5. Você relaxa e começa a conhecer um monte de gente legal

Você para de correr atrás, para de sair pra balada todo fim de semana, para de pedir pros seus amigos te apresentarem amigos, sai do tinder. Você volta a se ocupar do seu trabalho, dos seus projetos pessoais, faz vários amigos solteiros super legais e cheios de planos como você, gasta seu dinheiro com viagens e cursos, volta a sair mais com sua família. Você finalmente compra aquele vibrador que tinha pesquisado preço no item 2. Faz sua vida ser exclusivamente sobre você e sobre as pessoas que você gosta de verdade. E, nessas, começa a conhecer um mundo inteiro de gente incrível. E nem precisa ser necessariamente para namorar.

1 de abr de 2015

Do tempo que eu achava que Skrillex era uma mulher

Eu não sei distinguir gêneros muito bem. Talvez eu seja uma pessoa muito iluminada livre desse tipo de preconceito. Ou talvez eu só seja muito desligada mesmo. Na verdade as pessoas dizem que sou muito desligada com alguma frequência. A última vez foi semana passada quando eu não percebi que uns pivetes estavam para assaltar eu e minha amiga enquanto bebíamos na praça. Olha só como sou livre de preconceitos de novo. Sou mesmo um poço de iluminação.

De qualquer jeito, quando o dubstep apareceu, eu tinha certeza absoluta de que Skrillex era uma menina. Uma menina muito cool com sidecut, roupas de menino e um nome artístico legal e agressivo. Tinha uma vibe meio Joan Jet. E eu achava ótimo que uma mulher tinha inventado um gênero novo de música eletrônica tão revolucionário e barulhento que todo mundo odiava. Eu até ficava brava com as pessoas quando elas criticavam dubstep porque eu achava que elas só não gostavam porque foi uma mulher que inventou. Naquela época eu tinha acabado de sair de um relacionamento problemático, descoberto o feminismo e estava numa fase bastante misândrica. Mas eu não lembro de realmente ter brigado com alguém porque essa também era a fase que eu guardava todas as minhas frustrações. Mas, né?, precisamos apoiar a arte das minas.

Aí aconteceu de eu descobrir que a Skrillex namorava outra menina e tive que a reação que eu sempre tenho quando descubro que uma artista que eu gosto é gay: fico contente pela diversidade, mas traída porque é uma pessoa a menos pra me fazer sentir menos bosta por ser héteto. Parece que todas as meninas legais do mundo são lésbicas ou bissexuais, é tipo uma condição para ser legal. Queria mais minas legais héteros misândricas que se abstêm de fazerem sexo, como eu.

E então, depois de muito tempo, li uma notícia sobre Skrillex que usava o artigo masculino. Artigos. Palavrinhas tão pequenas que abrem o chão sob nossos pés e fazem nossas vidas perderem completamente o sentido. Nada pior que descobrir que sua ídola na verdade é um homem. Cis. Hétero. Que pesadelo.

Voltei a achar a Shirley Manson o suprassumo do cool e adotei o meu próprio sidecut. Ainda gosto de dubstep, mas agora podem dizer o que quiserem do Skrillex que não é mais problema meu.

10 de set de 2014

#StoptheBeautyMadness

Eu não uso maquiagem todo dia. Uso porque gosto, porque sem lápis sinto que meus olhos parecem menores e parece que estou sempre com sono. Mas uso pouco, em geral. Só passo base e corretivo quando estou com algumas espinhas, e mesmo assim é raro. Novo levo um arsenal quando vou viajar, geralmente minha necessaire é só de lápis de olho, rímel, uma sombra neutra, no máximo dois batons e um corretivo para emergências.

Eu acho essa campanha muito legal para mostrar que a gente não precisa estar perfeita sempre, que nossa vida não é um mural do pinterest, que todo mundo tem olheira, que mulheres lindas continuam se sentindo feias por causa dos padrões de beleza impossíveis que enfrentamos, que nem a Gisele parece a Gisele quando acorda.

Mas a Gisele continua convencionalmente bonita quando acorda. Sabem porque eu não uso corretivo? Porque eu não tenho olheiras, não tenho marcas de espinha, cicatrizes, manchas, não preciso esconder pêlos nascendo no rosto. Porque eu também sou convencionalmente bonita sem maquiagem. Eu não acho empoderador ver fotos de mulheres bonitas sem maquiagem. Elas continuam bonitas.

Na minha vida, sempre me senti muito mais pressionada a não usar maquiagem e conservar minha "beleza natural", regado a muito protetor solar, hidratante e comida de boa qualidade. Eu comecei a me maquiar todos os dias com uns 12, 13 anos e ouvia muitas críticas na escola. Que ridículo ir pra aula de lápis e batom vermelho. Na faculdade, se fosse de rímel, me sentia uma drag queen, no curso de humanas onde teoricamente as liberdades individuais são mais respeitadas. Namorei por três anos um babaca que dizia - sem nenhum eufemismo - que me achava feia de maquiagem. Então eu fiquei três anos sem usar nada.

Mas eu gosto e sempre gostei. Acho que as pessoas devem usar o que quiserem, como quiserem. Cada um sabe das suas inseguranças e, se passar três camadas de corretivo ajudar a melhorar sua auto-estima, por que não?

E eu vou continuar usando meu delineador grunge - para não dizer mal passado - e meus batons escuros durante o dia porque eu não quero parecer natural.


20 de ago de 2014

Literatura de mulherzinha

Eu conto histórias desde criança. Lembro com muita clareza que desenhava umas sereias tortas presas a máquinas de choque que estraíam a verdade delas. Sempre assisti desenho animado demais. Meus legos e meus playmobils e minhas barbies tinham as melhores histórias. Escalavam montanhas e descobriam outros mundos, fazendo coisas incríveis. Enchi um caderno de 500 páginas com uma aspirante a Britney Spears, era bem ruim, mas fui eu que fiz. Depois veio o Harry Potter e o Senhor dos Anéis e comecei a escrever fantasia. Meus protagonistas de aventura, desde criança, quase sempre eram meninos, assim como nas histórias que eu lia, que eu via na TV e nos filmes. Mulher é meio chato, né?, melhor escrever sobre menino, que não tem essas frescuras de ficar apaixonado e quebrar a unha no meio do caminho.

Na época eu tinha a Rowling, a Mary Shelly e a Louise May Alcott. Eram poucas, mas estavam lá. Eram bem menos que a torre de escritores masculinos que recomendavam na escola e em todos os lugares. Leio bem poucas autoras femininas, provavelmente por causa de preconceitos instituídos há muito tempo, de que mulher só escreve "coisa de mulherzinha" e eu, obviamente, não era uma mulherzinha.

Parei de escrever na faculdade. Por medo das pessoas lerem o que eu lia, por me sentir incrivelmente inadequada porque ainda escrevia terror e fantasia no meio dos hipster e de histórias tão mais importantes e porque alguém me disse que eu deveria tentar mudar, parar de escrever fantasia, essas coisas de criança. E eu não conseguia. Porque eu não gostava de escrever outras coisas, porque estava entrando em depressão, mas também porque não tinha lá muitas referências. A Rowling, por mais incrível que seja, não pode lutar contra todas as batalhas e todos os dementadores sozinha.

Eu lembro de ter prometido para mim mesma que não escreveria no blog sobre coisas de menina para não espantar meus poucos leitores meninos, mas eu não sei, na verdade, o que são "coisas de menina". Talvez fosse cosméticos, cabelo e acessórios ou talvez fosse... relacionamentos? É isso mesmo, né? Relacionamento é "coisa de menina". Eu prometi para mim uma vez que nunca escreveria sobre meus poucos relacionamentos fracassados para não ficar parecendo a Tati Bernardi. Mas é engraçado que quando o Chico Buarque ou mesmo o Xico Sá (*cospe no chão*) falam sobre isso, é lindo e poético, mas quando uma mulher fala, bom, é só coisa de mulherzinha histérica que não tem mais com o que se preocupar, passando de um namorado para outro, amando a todos com a mesma intensidade desenfreada. Eu nunca quis ser dessas mulheres. Eu queria ser um homem, que não ama ninguém, apenas a ele mesmo e que tem todas as licenças poéticas do mundo para escrever sobre sentimentos como se fosse um outsider, como o Tim Burton.

Mas, bem, eu sou uma mulher e escrevo porque preciso. E achei recentemente esse tumblr incrível que mostra que eu - e todas as outras meninas que querem escrever - não estamos sozinhas e que ainda há esperança pra gente. E que vamos conquistar o que é nosso e que não precisamos imitar os meninos para fazer isso.

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Recentemente voltei a ler um monte de blogs de meninas que acho geniais e estou tentando acompanhar mais mulheres que fazem coisas legais, mas é bem mais difícil, por algum motivo - ou porque demanda mais tempo - encontrar mulheres escritoras. Se tiverem indicações de coisas bem legais, estou aceitando :)

17 de ago de 2014

Colo

Cachorro é foda. Tropecei no Tom todos os dias da nossa vida enquanto moramos juntos e ele continuava dormindo ao lado da minha cadeira, sempre pertinho de mim enquanto eu trabalhava. O Tom sempre soube quais eram as boas companhias, só aceita essas. É mal-educado com as pessoas que não valem a pena. Pequeno, até chega a morder. Arrogante, não mostra carisma para quem não merece. E sempre foi assim. Desde filhotinho, quando era incrivelmente fofo e peludinho, mesmo nunca tendo gostado de colo ou de carinho demais. Quando fui morar em outra cidade, foi dele que mais senti falta. E ele, dizem, sentiu muito a minha, também.

Mas agora o Tom está ficando velho. Velho e manhoso. Faz 14 anos em outubro. Não consegue mais subir no sofá sem ajuda e quer sempre estar encostadinho na gente. Cismou de dormir na cama com os donos, até quer subir no colo enquanto estamos almoçando. Passou o dia longe de mim, andando pela casa, fazendo companhia para meu pai. Agora que estamos sozinhos, veio pedir carinho. Colocou as patas dianteiras na minha cadeira, pedindo colo.

Mas eu sei que ele sabe que quem está precisando de colo sou eu.

3 de ago de 2014

As colagens de Frederico Hurtado

Eu não sei o que é sobre colagem que me atrai tanto. É lindo e bizarro ao mesmo tempo, como todas as melhores coisas do mundo. Frederico Hurtado é um arquiteto argentino, de Buenos Aires, que faz as colagens mais lindas. As imagens resultantes parecem sonhos, ainda mais aquelas feitas em contracapas de livros antigos, fazendo tudo parece ainda mais onírico e esquecido.












Fonte: Frederico 2011